Introdução:

Uma das premissas básicas de gestão rege que, para se avaliar algo, este algo deve ser, de alguma forma, mensurável. Portanto, para se determinar o nível de conhecimento de um profissional, é necessário que esse conhecimento seja medido e balizado, para então poder ser comparado e verificado. As certificações profissionais de TI têm exatamente essa função: servir como uma métrica padronizada que permita mensurar a quantidade e a qualidade de conhecimentos e habilidades específicas que um determinado profissional possui e, com base nessas métricas, atestar para o mundo se o profissional em questão é ou não versado em uma determinada tecnologia. Existe hoje uma infinidade de certificações específicas para TI à disposição dos profissionais que queiram comprovar suas habilidades para o mercado. A questão aqui é saber separar “o joio do trigo”. O profissional precisa ser extremamente criterioso na escolha da certificação, levando em conta fatores como aceitação e respeitabilidade pelo mercado, custo e tempo para obtenção, além do retorno do investimento, entre outros. De uma forma geral, o mais importante é verificar o que determinada certificação trará de benefícios verificáveis para o profissional que a obtiver.

 Principais certificações:

Como já foi mencionado, existem centenas de certificações no mercado, porém nem todas gozam do mesmo nível de reconhecimento. Uma regra que não falha é atentar para as tecnologias em voga – ou seja, com demanda pelo mercado – e buscar certificações reconhecidas nessas áreas. Exemplos atuais seriam: segurança, comunicações unificadas, wireless, virtualização, programação (Java e outras), sistemas ERP (SAP e Microsiga, por exemplo), sistemas operacionais (Linux, Windows), bancos de dados (Oracle, por exemplo) e governança em TI. Para cada uma destas áreas, existem certificações específicas, algumas bastante reconhecidas pelo mercado e outras nem tanto. Outro ponto que deve ser levado em consideração é o tipo de certificação: orientada ao fabricante ou independente. Vários fabricantes desenvolveram suas linhas de formação profissional baseados nos equipamentos e tecnologias que vendem ao mercado. Esse é o caso de Cisco, Avaya, Red Hat, 3Com, Juniper, Check Point, Microsoft, Sun, Oracle e tantas outras. O problema aqui é que algumas destas certificações podem “amarrar” muito o profissional à tecnologia específica do fabricante. Se amanhã esse profissional precisar comprovar seus conhecimentos em algo mais genérico ou de outro fabricante, poderá ter problemas. Portanto, o mercado reconhece algumas certificações desse tipo como sendo mais interessantes exatamente pelo fato de não limitar o profissional. Um bom exemplo seriam as certificações da Cisco – amplamente reconhecidas até por outros fabricantes, como Juniper e Huawei –, pois cobrem em seus cursos e exames uma grande gama de conceitos e tecnologias que podem ser aplicados em qualquer tipo de rede. Em termos de certificações independentes, temos entidades que oferecem certificações “neutras”, ou seja, sem qualquer relação com um fabricante específico. Estas são interessantes pelo fato de atestarem que o profissional conhece a fundo conceitos e tecnologias que podem – em tese – ser implementados em qualquer tipo de ambiente. Exemplos seriam as certificações da CompTIA (Security+, Network+, A+, entre outras), do PMI (PMP), ISC2 (CISSP), ISACA (CISA), LPI e ITSM (ITIL).

Abaixo segue algumas das certificações em TI mais relevantes para o mercado brasileiro, separadas por área de atuação. A ordem foi baseada na empregabilidade, na popularidade e na relevância de cada certificação para o mercado brasileiro.

Infraestrutura (redes e sistemas operacionais)

  • Cisco (CCNA, CCNP e CCIE): as certificações da Cisco seguem no topo do ranking por um motivo muito simples: a demanda por profissionais de rede segue em alta e as certificações da Cisco preparam o profissional para encarar qualquer desafio neste mercado. São certificações tradicionais e muito reconhecidas pelo mercado. Das novas certificações lançadas pela Cisco, as especializações CCNA Voice, CCNA Security e CCNA Wireless certamente terão seu valor apreciado cada vez mais pelo mercado;
  •  Microsoft (MCSA, MCSE e MCSD): a razão de as certificações Microsoft estarem em segundo lugar também é simples de ser justificada. A em- presa detém mais de 80% do mercado de sistemas operacionais;
  • Linux (LPI, RHCE etc.): com a explosão do Linux – especialmente em datacenters e empresas, estas certificações vêm ganhando muita importância. Existe uma carência clara no mercado de profissionais nesta área;

Governança e gestão

  • PMP (Project Management Professional): focada em gerência de projetos;
  • ITIL (Information Technology Infrastructure Library): focada na governança de TI, é cada vez mais reconhecida e procurada pelas grandes empresas;
  • COBIT (Control Objectives for Information and related Technology): também focada nas melhores práticas de governança de TI;

 Segurança e controles

  • CISSP (Certified Information Systems Security Professional): uma das certificações mais quentes e reconhecidas na área de segurança;
  •  CISA (Certified Information Systems Auditor): com a crise econômica apertando, nunca os auditores foram tão valorizados. Vale conhecer me- lhor esta certificação, em alta no momento;
  • CCSE (Check Point Certified Security Expert): certificação de segurança de alto nível. É uma das certificações mais valorizadas na área.

 Programação

  • SCJP (Sun Certified Java Programmer): foco em Java e, portanto, em alta.

 Arquitetura

Arquitetura de soluções é uma área que vem tendo mais visibilidade, especialmente nos grandes provedores de serviço. O perfil do profissional da área mescla conhecimento de mercado com habilidades e conhecimentos técnicos. As certificações apresentadas a seguir são relativamente novas, mas já gozam de reconhecimento pelo mercado e entre os profissionais que atuam nesta área:

  • MCA (Microsoft Certified Architect)
  • CCA (Cisco Certified Architect)

 Reconhecimento do mercado

O que é preciso deixar claro é que a certificação, por si só, não é garantia de um bom emprego ou de salários vultosos, como muitos pensam. Na prática, a certificação serve como um diferencial, ou seja, fará com que o currículo do profissional vá para uma pilha menor, com maiores chances de ser selecionado. Em alguns casos, a certificação sequer é um diferencial; é um pré-requisito para a vaga. Nessas situações, a empresa quer ter certeza de que o profissional procurado domina determinada tecnologia ou possui conhecimentos específicos em alguma área do saber.

Idioma

Outro ponto a ser considerado aqui é o domínio de um idioma estrangeiro notadamente, o inglês. Quando o assunto é tecnologia, o que é considerado estado da arte hoje pode não mais sê-lo amanhã. Isso significa que se o profissional de TI não estiver em constante atualização, fica para trás. A maior parte da literatura disponível hoje para as tecnologias mais recentes é lançada primeiro em inglês. Então, se você não domina esse idioma, será ultrapassado por outro profissional que possui esse conhecimento. O domínio do inglês é necessário, portanto, não necessariamente para conversação, mas para atestar que você terá condições de se atualizar rapidamente quando necessário. É comum empresas preferirem profissionais que dominem o inglês, mesmo que estes não possuam qualquer certificação de TI. O motivo é simples: é mais barato e mais rápido certificar um profissional do que investir anos para que ele aprenda um novo idioma.

Salário

É comum ouvir questionamentos sobre o salário de um profissional certificado Cisco CCNA ou mesmo CCIE. O que é certo é que quanto mais se envereda no caminho das certificações, ou seja, quanto maior o nível de dificuldade e abrangência das certificações que o profissional possui, reduz-se drasticamente a chance do profissional ficar desempregado, por exemplo. A questão que você deve se fazer, portanto, é: em qual lado da pirâmide você quer estar? Na ponta, onde a demanda é enorme e os profissionais são poucos e, por consequência, os salários são maiores ou na base, onde mesmo com uma demanda forte pelo mercado existe uma oferta igualmente grande de profissionais?

Custos

Por fim, quanto custa certificar-se? Isso depende. A grande maioria das certificações existentes não exige a participação em um curso ou algo do gênero. Basta comprar alguns livros e dedicar-se para conseguir a tão sonhada certificação. Sem considerar gastos com cursos, é possível verificar os custos (em dólares) de quase todas as provas de certificações mencionadas neste artigo acessando o site da Vue, empresa que ministra os exames para a maioria das empresas e entidades aqui mencionadas.

Fonte: Revista Linux Magazine – edição 61

Por que e como ser um profissional certificado?

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